Casa Maravilhosa em Bulhões

Postado 10 de Mar de 2017

 

                                                                                   Casa Maravilhosa

                                                          nos dá uma

                                                        amostra do que

                                                           foi o Brasil

                                                    nos anos cinqüenta

Como cede da Fazenda Boa Vista, que na década de cinqüenta chegou a produzir 800 mil litros de leite por ano, essa casa que não tem nada de rural, ainda impõe sua majestade em meio a um parque bucólico com árvores centenárias e projeto paisagístico de Burle Marx

Construída em 1958, serviu de residência de verão ao casal França Filho, que era na época entre outras coisas, de não menos charmosa Confeitaria Colombo no Rio de Janeiro.

A menos de dez minutos do centro de Resende, mas precisamente a 8 km na direção de Bulhões, depara-se com aquela construção monumental com seus 1800m² de área construída

em meios aos seus 120,000m² de área verde. É um impacto, não é uma casa de fazenda em estilo colonial como estamos acostumados a ver por estas paragens. Não, é uma casa Georgiana, com aquelas do filme “E o vento levou” aonde o famoso arquiteta carioca Pedro Rossi se inspirou.

Transportando-se o portão de entrada, subimos por uma alameda pavimentada que corte um bosque de árvores centenárias, á saleira da porta da grande sacada de entrada, se vê o Paraíba escorrendo a seu pés. O silêncio somente cortado pelo canto dos pássaros nos faz imaginar aquela casa com suas festas, gente elegante e desejar que nesses altos e baixos do nosso Brasil, alguém lhe dê novamente um sopro de vida que ela merece.

Dos seus três salões do pavimento térreo, até hoje guardando alguns moveis, quadros e tapetes de seus antigos proprietários, avista-se a área de piscina, a sauna e alguns moveis de jardim, também da época. Sentados na biblioteca de onde rabisquei estas linhas, escutei historias de festas e grupos que o França Filho trazia do Rio de Janeiro, para veraneio. França Filho foi um homem muito viajado e  muito sociável, nas paredes ainda há porta-retratos com fotos de artistas holiwoodianos da época, e até uma foto da ocasião onde foi recebido pelo Papa.

No pavimento superior, por onde se pode ir pelas escadas sociais, pelo elevador, ou ainda pelas escadas de serviço, deparamos com corredores largos que nos levam as oito suítes enormes, ainda forrados pelo papel de paredes francês e a grande suíte que já hospedou Juscelino Kubitschek do qual o proprietário era intimo amigo.

José Guilherme Caldeira lembra disso tudo com muita saudades, era ainda menino quando assistia essa vida intensa acontecendo na então fazenda Boa Vista. Hoje resta a ele e a sua irmã, a incumbência de dar um destino digno a esta propriedade. José Guilherme acredita que a venda ou mesmo a parceria com algum grupo hoteleiro, religioso ou mesmo comercial, enfim, algum tipo de atividade que mantenha esse patrimônio e o privilegio de quem possa freqüentar.

Fonte: Revista da Aciar.